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Ronaldinho Gaúcho: o declínio do craque

Relembre algumas polêmicas na carreira do craque brasileiro, atualmente preso no Paraguai

de Flávia Rodrigues

agosto 12, 2020

Ronaldinho Gaúcho era irresistível – é assim mesmo que  a imprensa internacional define o ex-jogador. Também não é muito difícil chegar a esta conclusão. Com aquele sorriso fácil, seus dribles desconcertantes, o futebol alegre e ainda por cima carismático, Ronaldinho tinha a genialidade genuína dos craques brasileiros como marca registrada.

Durante os anos 2000, o Bruxo – como era conhecido – encantou o mundo do futebol com sua magia. E, na última década, ele ganhou, assim como também perdeu. Ronaldinho Gaúcho era “outro patamar”.

Após deixar o Milan em 2011, ele retornou ao futebol brasileiro. Aos 30 anos, já tinha no currículo uma Copa do Mundo, Liga dos Campeões e títulos em todos os clubes pelos quais jogou. Mesmo assim, o atacante veio ao Brasil e ofuscou até Neymar. Além disso, conquistou a Libertadores, que lhe faltava, além de alguns estaduais no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

Mas, bastaram 5 anos, uma passagem de 9 meses pelo futebol do México – sem títulos – e Ronaldinho Gaúcho pendurou as chuteiras precocemente. A partir dali, entrava em cena a fama e sucesso fora dos gramados. Publicidades, reality show e até filme em Hollywood. Era presença constante em festas e eventos.

Entretanto, no início deste ano, o sorriso deu lugar à uma realidade difícil de acreditar. Os eventos deram lugar à delegacia e, há 5 meses, Ronaldinho Gaúcho segue preso no Paraguai, com seu irmão e empresário Assis, por portarem documentos falsos.

“O que vale é o amor à camisa”

“Eu gosto tanto do Grêmio que, se fosse sempre assim, com estádio cheio e torcida apoiando, eu jogava de graça. O que vale é o amor à camisa”

Ronaldinho Gaúcho, após conquistar o Gauchão em 1999

Tudo começou no Grêmio, quando seu irmão Assis assinou seu primeiro contrato profissional aos 17 anos. O clube e o futebol tiraram a família da pobreza. Anos mais tarde, devido à habilidade com a bola, não demorou muito para que chegasse a vez de Ronaldinho Gaúcho. Com 19 anos, o atacante já atraia as atenções com sua performance em campo. O “amor à camisa” foi exposto em diversos momentos e, 2 anos depois, somente Romário estava à frente de Gaúcho na artilharia brasileira.

O tempo foi passando e Assis, como agente, não facilitou as negociações sobre renovação no Tricolor. Era hora de dar voos mais altos e um pré-contrato com o PSG, em 2001, mudou completamente o ambiente entre o craque e a torcida gremista. O que era admiração virou raiva. Mas, em Paris, Ronaldinho Gaúcho ficou por 2 temporadas e conquistou o pentacampeonato com a Seleção Brasileira.

Em seguida, foi assinar com o Barcelona para brilhar de vez na Europa. Imagina, naquela época, o Bruxo era mentor de ninguém menos do que Lionel Messi. Em 5 temporadas, veio o título da Champions, dois da La Liga. Mas, um declínio no rendimento, lesões e falta de espaço na equipe de Guardiola, o fizeram aterrissar no Milan.

Mais duas temporadas e meia depois na Itália, o Grêmio abria as portas para receber novamente sua cria… mas, não foi bem assim o fim desta história.

“Isso não é muito barulho”

Assis surgiu novamente com mais uma de suas negociações no Grêmio e o clube organizou uma grande festa de inauguração de estádio, na qual Ronaldinho Gaúcho nunca apareceu. E, enquanto a diretoria gaúcha lamentava, o craque exaltava que ia fazer e acontecer no Flamengo.

“Muitos voltam ao Brasil apenas para encerrar a carreira. Quero levar o nome do Flamengo o mais alto possível, conquistando o maior número de títulos possível, e retribuindo o amor dessa torcida”

Ronaldinho Gaúcho, em sua apresentação no Flamengo

Nem precisamos dizer que o ex-jogador soube como ninguém colocar “fogo no parquinho”, muito antes desta expressão até mesmo existir. No entanto, 10 meses depois, no primeiro duelo entre cariocas e gaúchos, o Flamengo foi “visitar” o Grêmio e o que se viu foram lápides, notas falsas com o rosto de Ronaldinho nas arquibancadas. Além de uma chuva de moedas em campo com referências a Judas e ao termo mercenário voltados para o craque.  

“Para quem está acostumado com a torcida do Flamengo, isso não é muito barulho”

Ronaldinho, jogando pelo Flamengo ao enfrentar o Grêmio

Apesar de sair de campo derrotado, naquele dia, Ronaldinho Gaúcho realmente não estava a fim de paz. A derrota não foi anormal. Naquele período, era recorrente notícias sobre noitadas e vida extracampo. Faltava comprometimento e sobravam festas. Tanto que, antes do barco afundar de vez, e após 72 jogos, 28 gols e alguns salários atrasados, Assis rescindiu o contrato.

“Este é um novo capítulo”

Apenas 4 dias depois, já era possível ver Ronaldinho Gaúcho treinando no CT do Atlético-MG. No clube mineiro, era hora de deixar seu futebol falar mais alto.

“Quando recebemos muitas críticas, acabamos querendo mudar as coisas. Vim aqui com esse desejo.”

Ronaldinho, sobre a mudança para o Atlético-MG

Cuca, então técnico do Galo, soube administrar Ronaldinho Gaúcho em campo e fora dele. Deu responsabilidade e viu resultados. O que começou com desconfiança de torcedores – afinal, os atleticanos acompanharam o drama de gremistas e flamenguistas – passou à idolatria. O camisa 49 (uma homenagem ao ano de nascimento da sua mãe) foi peça-chave na conquista inédita e histórica da Libertadores. Seu futebol-arte estava de volta. Mas, um ano depois do título, ele pediu para sair. Uma nova aventura o aguardava. Agora, no México.

“Nunca treinou numa segunda-feira”

No clube Querétaro, no México, Ronaldinho Gaúcho conseguiu sua pior proeza: durou apenas 9 meses e nem conquistar nenhum título, pela primeira vez na sua carreira. Está certo que este fato muito se deve às festas, mulheres e tequilas.

– Jogávamos sempre às sextas-feiras… Quando terminava o jogo, Ronaldinho pegava um avião particular e ia para Cancun ou Playa del Carmen. Regressava somente na terça-feira. Nunca treinou numa segunda-feira.

Patrício Rubio, ex-goleiro do Querétaro em entrevista ao jornal As

De volta ao Brasil, o atacante ainda tentou um contrato de 18 meses com o Fluminense. Admirador do Rio de Janeiro, Ronaldinho Gaúcho poderia ter uma nova chance no futebol da Cidade Maravilhosa. Porém, nada feito. Dois meses depois e algumas vaias, o craque saia de cena para nunca mais voltar.

Sabe-se que a última final de campeonato no qual participou e foi o grande artilheiro, com 5 gols e 6 assistências foi dentro da prisão mesmo. Na vitória por 11×2 na Agrupación Especializada, em Assunção, o time de Ronaldinho Gaúcho faturou de prêmio um leitão de 16kg. Uma triste nova realidade para quem teve o mundo do futebol aos seus pés.

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de Flávia Rodrigues